Cris M. Zanferrari
Marina Colasanti é, por formação, pintora e gravurista. Por isso, não é surpresa que ilustre seus próprios livros. Surpreendente é encontrar a mesma finura do traço desenhado na costura das palavras. Com tal delicadeza Marina tece suas histórias que, mal nos damos conta, nos encontramos enredados em seus contos. Sentimo-nos parte dos mistérios, dos guardados segredos, dos insondáveis caminhos pelos quais a autora, com toda habilidade, nos conduz.
É um universo construído para o público infanto-juvenil. Mas encanta igualmente adultos de alma sensível e espírito leitor. Para gostar de Marina basta gostar de ler. Seus contos fascinam não só porque tratam de temas universais, mas, sobretudo, porque tratam da matéria mais elementar de que se abastece o ser humano: a emoção.

“’Às vésperas de partir, um homem entregou à esposa um frasco de vidro. A viagem seria longa, disse, e para compensar tanta ausência fazia questão de receber, na volta, o frasco cheio das lágrimas de saudade que ela haveria de derramar.
Não era um frasco pequeno.
Lágrima, a mulher não derramou nenhuma vendo o marido sair de casa, atravessar o jardim e afastar-se em direção ao cais. Esforçou-se, querendo aproveitar o momento propício para começar a colheita, mas embora levasse aos olhos, alternadamente, o longo gargalo do frasco, os cílios continuaram enxutos.
Se não havia chorado no momento da partida, tornou-se ainda mais difícil fazê-lo depois. A casa vazia de marido era-lhe puro agrado. Não havia mais quem lhe desse ordens. Só se levantava ao fim do sono, só comia o que o desejo mandasse, não vestia corpete.
Nem vinha o tempo acender-lhe a tristeza. Pelo contrário.
Com o passar dos dias, o que se acendeu nela foi o interesse pelo jovem ferreiro que, do outro lado da rua, martelava o ferro incandescente luzindo braços nus. […]”
É assim, numa contínua prosa poética, que Marina conta histórias. Nunca previsíveis, nunca lugares-comuns: assim são os contos todos. O elemento surpresa se atém a cada narrativa como a flor se prende ao caule: com naturalidade. Sim, porque, para Marina, parece tão natural que se conte histórias quanto o haver (ou não haver) quem se disponha a escutá-las. Afinal, também na vida “há sempre alguém que ama quem não sabe amar.”*
————————————————————-
*Do conto “Um presente no ninho.”
————————————————————-
Hora de Ver e Ouvir Marina Colasanti:
Que voz linda e suave… Uma prazer conhecer Mariana, obrigada por seus pots Mania! Estou me deliciando cada vez mais… ❤
CurtirCurtido por 1 pessoa
Sim, Lele, a mesma delicadeza da escrita na voz! Essa Marina não é à toa a musa do grande Affonso Romano de Sant’Anna!!
Obrigada pelas visitas,querida!
Bjos
CurtirCurtido por 1 pessoa
Brigaduuuu, querida Lele!!
Beijão
CurtirCurtido por 1 pessoa
Marina parece uma fada de olhos verdes, com sua fala gostosa, vai mesmo nos levando pela mão, ao mundo encantado que enxerga e transmite. Linda a história das mulheres no penhasco, olhando onde estão os maridos e namorados, e da inspiração de Marina, ao vê-las. Beijos Cris
CurtirCurtir