Citação · Literatura · Música · Ver e ouvir

Ver e Ouvir Música Clássica (ou: pretexto para divulgar a OSINCA)

Deve ser um sinal dos tempos: ando com desejos de ouvir mais música clássica. Deve ser porque me dou conta de que ouvir Mozart, Vivaldi ou Bach, é muito parecido com ler boa literatura: são momentos de suspensão do mundo. Tudo o que há ao redor fica momentaneamente suspenso, parado, como a esperar. Tudo pode esperar.

A música clássica apela para todos os sentidos. Por isso, deve-se ouvi-la como quem lê: em atitude de doce entrega. Tal qual o poema ou o livro, a música penetra-nos a alma, desperta insuspeitados sentimentos, revela-nos surpreendentes sensações. Entregar-se à audição de uma sinfonia é converter o momento em um átimo de religiosidade, de uma quase epifania. Tudo o mais pode esperar.

Deve ser, sim, um sinal de muitas primaveras esse que me faz apreciar cada vez mais os clássicos, da música à literatura. Deve ser porque com o passar do tempo refinam-se os gostos, apuram-se as escolhas, burilam-se os hábitos, aprofundam-se as sensações, aperfeiçoam-se os sentimentos. Salvo raras exceções, não é na juventude que se ouve Beethoven ou se lê Machado de Assis com genuíno interesse e legítimo apreço. Há que se viver, sofrer, conhecer, aprender, “rasgar-se e remendar-se” primeiro. É preciso enlouquecer um pouco, danar-se com o mundo, quase desesperar para se chegar a desejar, enfim, a harmonia.

Deve ser daí que vem o consolo, o conforto, o alento que nos chega através da música clássica. Uma sinfonia é, essencialmente, uma harmonia de sons. Sendo harmonia, os acordes sinfônicos nos harmonizam também. Harmonizar quer dizer estar de acordo, que é o que acontece à medida que envelhecemos. Mestre Rosa sabia das harmonias e preconizava: “Envelhecer devia de ser bom __ a gente ganhando maior acordo consigo mesmo.”

Que seja, pois, um sinal dos tempos, um sinal da idade, um sinal qualquer esse que me faz ouvir Strauss, que me faz ler Dostoiévski, que me faz sentir bem, muito bem. E se faz sentir bem, deve ser um bom sinal.

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Todo esse preâmbulo vem a pretexto de falar do meu orgulho em viver numa pequena cidade que tem, por obra e esforço de um jovem e sua comunidade, uma orquestra sinfônica. Trata-se da OSINCA (Orquestra Sinfônica de Carazinho), regida, apaixonadamente, pelo prodígio que é Fernando Cordella. Venha, querido leitor, ver e ouvir a “nossa” bela e formosa OSINCA.

 

 

 

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