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Ver e Ouvir Noemi Jaffe

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Pense num livro leve. Gostoso. Lúdico. Num livro que se possa começar por onde quiser. Num livro que é um permanente e contínuo começo. Já começou a pensar? Pois “Não comece. Depois de começar, você se dará conta de que não existe mais caminho de volta.” Ou então, “Se estiver muito preocupado com o começo, esqueça. Vá fazer outra coisa e, quando menos esperar, ele aparecerá.” Mas, se ainda estiver em dúvida, não se desespere: “Começar ou não começar é a mesma coisa. Se o fim é sempre o mesmo, não faz diferença por onde, quando, por que e como se comece.”

Se você já começou a gostar do que leu até aqui, comece por providenciar o seu próprio “Livro dos começos”, da professora, escritora e crítica literária Noemi Jaffe. Afinal, sempre é tempo de começar, nem que seja apenas uma nova leitura. E uma leitura assim, simultaneamente divertida e reflexiva, é sempre um bom começo.

Composto de fichas soltas, pode-se brincar de jogar as folhas ao alto e começar a leitura de forma aleatória. Pode-se esparramar os textos à volta e, às cegas, pinçar uma página qualquer a ser lida. Pode-se até mesmo começar uma leitura linear, tradicional, seguindo a ordem do fichário tal qual apresentado à primeira vez em que se abre o livro. E que, muito provavelmente, nunca mais será a mesma, já que a graça da obra é precisamente esta: cada um faz o seu próprio começo.

Ironicamente, o assim chamado “Livro dos começos” foi o último livro a ser editado pela Cosac Naify. Digo “ironicamente”, mas talvez não seja a palavra certa se pensarmos que o fim de uma coisa é quase sempre o começo de outra. Aliás, o que é mesmo o que se chama de “começo”? Noemi arrisca a resposta: “O começo não passa de interrupção de algo que já vinha ocorrendo, mas que ainda não tinha recebido nome. As coisas estão em permanente processo até que alguém apareça e nomeie um ponto das coisas como começo.” Nomear o mundo faz com que o mundo faça sentido. E nesse sentido, a palavra ‘começo’ é portadora de esperança. Todo começo é também uma grande espera.

“Como é bom começar.” Comecemos logo. Comecemos, pois, por ver e ouvir Noemi Jaffe.

 

 

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8 comentários em “Ver e Ouvir Noemi Jaffe

  1. Gente, que demais essa ideia!! O nome Noemi Jaffe é bem familiar para mim, mas não lembro do que… rs Não consegui encontrá-lo para venda, mas parece ser muito legal. Meu TCC na faculdade foi sobre os começos de dois livros do Saramago (Memorial do Convento e A Viagem do Elefante). Esse tema “começos” me interessa bastante! 🙂 O Amós Oz tem um livro em que ele analisa começos de clássicos da literatura, chama-se “E a história começa”. Não sei se você já leu, mas vale a pena!
    Bjs!!
    http://1pedranocaminho.wordpress.com.

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  2. Ah Cris, muito bom vê-la e ouvi-la!! Imediatamente, olhei seu copo e pensei, se estivesse ali, verteria uma água fresca, com gosto de fonte, não deixaria jamais seu copo vazio. Beijos

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      1. Também penso assim Cris!
        Muito encantadora, adorei ela citar o Arnaldo Antunes, quando diz que sua escrita é inclassificável e também a música Sofia, do Tatit. Beijos

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      2. Marina, adorei ela ter dito isso, porque também sempre achei que literatura não é para se classificar ou rotular, mas para ser fruída, como as melhores coisas da vida!
        A propósito: adoro suas visitas!!
        Bjo, querida!!

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