Citação · Para refletir

Quase hilário

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O vídeo com o registro flagrante da cena real não deixa dúvidas: a vida é mesmo surreal. Aconteceu em Balneário Camboriú, Santa Catarina. Vinha um passante pela calçada quando _ do nada, não mais que de repente_ lhe cai sobre a cabeça uma imensa placa de vidro. Pode-se vê-la despencando e atingindo de soco o transeunte que, com o impacto, é derrubado, sem sequer desmaiar. Não viveu de novo porque não chegou a morrer. É uma cena espantosa. Quase hilária, não fosse real.

Ocorre que o inusitado acontecimento me fez lembrar, de imediato, da cena que abre o filme argentino “Um conto chinês”. Nela, um casal apaixonado, em uma pequena embarcação ao meio do lago, troca juras de amor. E então, o inimaginável: uma vaca cai do céu sobre o barco, matando a jovem moça. Quase hilário, não fosse o filme ser anunciado como sendo baseado em uma história real.

A notícia catarinense bem poderia ser mais um recorte para o álbum de colagens de Roberto, o protagonista do filme de Sebastian Borensztein. Sim, porque Roberto, um misantropo e solitário convicto, colecionava os absurdos da vida. Eram matérias jornalísticas cujos relatos comprovavam a sua inabalável crença: a de que a vida humana é totalmente desprovida de sentido. Um absurdo. Um despropósito.

Mas se a vida é absurda, pode também ser venturosa, já que o mundo costuma dar voltas. Tantas que os caminhos do comerciante argentino e do chinês em busca do tio acabam por se cruzar e, daí por diante, nada será de todo absurdo ou despropositado. Classificado como comédia, o filme é antes uma bem-sucedida abordagem de valores a serem resgatados: a solidariedade, a comunicabilidade, a amizade. Se a vida é um despropósito, “Um conto chinês” certamente não o é.

E mais sobre o longametragem não conto, que é dever de cada um fazer escolhas (na vida e no cinema). Ou então, também não é preciso que se pense muito sobre tudo isso, afinal de contas “a única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso.” (Que o diga o sobrevivente do tal vídeo).

Quase hilário, não fosse tão metafísico.

 

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2 comentários em “Quase hilário

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