Citação · Literatura · Para inspirar · Ver e ouvir

Feliz Natal (ou: Ver e Ouvir Maria Bethânia declamando Fernando Pessoa)

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Tendo tudo corrido bem, estarei por esses dias em algum lugar do Atlântico usufruindo do período mais esperado do ano: as férias. E muito provavelmente estarei também numa imposta abstinência das redes sociais. Autoimposta?, indagará o leitor. Sim e não, responderei.

Quando digo ‘sim’ é porque decido, voluntariamente, dedicar-me a conviver de uma forma mais primordial: olhando nos olhos, falando ao invés de escrever, gesticulando e alcançando o ombro alheio com um simples estender da mão. E porque tendemos tanto a esquecer das coisas simples e elementares, tempo será de resgatar o convívio mais simples e elementar: estar junto. Ficar junto.

Quando digo ‘não’ é porque parte da imposição é também circunstancial. Acessar a internet será uma circunstância de alto custo monetário e, portanto, inviável. Digamos, a essa altura, que o ‘não’ abriu caminho para o ‘sim’.

Pois bem. O que quero lhes dizer, afinal, é que o blog não terá atualizações nesse período, que vai de hoje até depois do Natal. E até lá, desejo a você, querido leitor, que fique bem por esses dias, que tenha uma bonita comemoração natalina e que, sobretudo, volte por aqui a fim de fazer crescer a minha, a sua, a nossa Mania de Citação.

Um beijo carinhoso da

Cris

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O GUARDADOR DE REBANHOS

VIII

Alberto Caeiro

Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
[…] Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
[…]
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
[…]
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
………………………………………………….

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
…………………………………………………….

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

 

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8 comentários em “Feliz Natal (ou: Ver e Ouvir Maria Bethânia declamando Fernando Pessoa)

  1. Boas férias Cris!! Feliz Natal pra você e sua família!! Que a “Eterna Criança” nos visite e esteja sempre perto de nós!! Obrigada Cris, pela linda poesia, pelos posts que nos alimentaram ano afora, que venham muitos no porvir!! Beijos grande, Marina

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