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Seleta de Letras: Ana Luísa Lacombe

Vale a pena visitar o site de Ana Luísa:  www.fazeconta.art.br

Contar histórias. Ouvir histórias. Duplo encantamento: para quem conta, para quem ouve. O fascínio por uma boa história se justifica: o ser humano é dado a narrar-se. Em “Viver para contar”, Gabriel García Márquez esclarece: “A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la.” Eis a grande fascinação.

O mais bonito e relevante quando se conta uma história em voz alta é precisamente o fato de que, ao fazê-lo, é preciso que se esteja 100% presente. Por isso, ler em voz alta é uma forma _ talvez uma das mais amorosas_ de se “estar junto”. É um momento precioso de verdadeiro encontro: com o outro, com o texto, consigo mesmo. Contar oralmente uma história é pura doação.

Ana Luísa Lacombe sabe disso muito bem. Ela é uma contadora de histórias. Profissionalizou-se nessa arte e compartiu toda sua experiência e conhecimento em um livro acompanhado de CD, fazendo nos chegar, além de suas vivências, a doçura de sua voz.

Hoje, portanto, a Seleta de Letras conta um pouquinho do que há para ser descoberto e saboreado na obra de Ana Luísa. Pequenos trechos para inspirar a leitura completa. Pequenos trechos para despertar o potencial contador de histórias que mora em cada um de nós.

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“As imagens que são recorrentes no inconsciente humano, onde quer que estejamos, aparecem nos sonhos e nas histórias.” Pág. 12

“[histórias] são necessárias para entendermos o mundo que nos cerca, e a nós mesmos. […] As histórias nos contextualizam, dão significado às coisas, explicam nossa existência, dando sentido para estarmos no mundo.” Pág. 23

“[…] contar histórias tem um efeito terapêutico.” Pág. 25

“O encantamento do conto de fadas é que tudo dá certo no final. […] É comum os contos abordarem temas incômodos ou o lado cruel dos personagens. Funcionam como uma forma de lidarmos com nosso lado mais sombrio que evitamos aceitar, nossos defeitos ou os defeitos de quem gostamos. […] Amadurecer é também saber lidar com esse lado sombrio.” Págs. 38-39

“Não saio sem um livro na bolsa. Em cada intervalo do dia, no consultório do médico, no metrô, no ônibus, vou lendo um pouquinho. Quando você percebe, já leu uma porção de livros. Não existe mágica.” Pág. 48

“Só podemos contar uma história que conhecemos muito bem. […] Explorar o texto, criar o suspense, dar chance ao humor. Criar nuances de voz para os personagens (se você gostar desse recurso e souber usá-lo), fazer pausas, acelerar num momento de correria ou perseguição, relaxar num instante de repouso; enfim, criar a partitura da sua história.” Pág. 53

“É preciso ver seu público. É preciso “varrer” a plateia com o olhar. Quando olhamos, é como se estivéssemos trazendo cada um para o nosso colo.” Pág. 65

“Conversar e contar histórias contribui para que possamos refletir sobre nós, sobre o mundo, sobre as relações humanas. Assim, podemos nos tornar seres críticos e comprometidos com a nossa vida e com a vida dos outros.” Pág. 97

“Desde que comecei a contar histórias, senti que tinha encontrado meu caminho, meu fluxo do rio… Uma vez ouvi uma palestra de um especialista em I Ching em que ele disse: o rio corre por onde é mais fácil seguir, a água vai encontrando seu leito e fazendo suas curvas por onde ela flui melhor. Ele comparou isso com nossa vida dizendo que, quando encontramos o nosso fluxo, as coisas começam a se desenvolver de forma contínua e fluida, como um rio. Vamos deslizando sem dor, indo pelo caminho que nos desgasta menos e que deixa as águas seguirem seu destino, cristalinas e cheias de surpresas e riquezas no seu percurso…” Pág. 98

Fonte: LACOMBE, Ana Luísa. Quanta história numa história: Relato das experiências de uma contadora de histórias. 1.ed. São Paulo: É Realizações, 2015.

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4 comentários em “Seleta de Letras: Ana Luísa Lacombe

  1. “Só podemos contar uma história que conhecemos bem” (Ana Luísa Lacombe). Isso mesmo!! Vi um filme ontem, “Far From The Madding Crowd” e, nos extras do mesmo, o diretor dizia que os atores levavam embaixo do braço o livro do autor Thomas Hardy e no outro o roteiro. Apesar de ser um clássico, de já o terem lido, a releitura sempre acrescentava algo, a eles e ao filme.
    Beijos Cris,
    Marina

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