Citação · Literatura · Livros · Seleta de Letras

Seleta de Letras: Flaubert

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Seletas sempre nos fazem pensar em algo bom. Algo refinado, escolhido com o cuidado de um bom apreciador. No caso, apreciador de livros.

É certo que seleções são sempre muito pessoais, subjetivas mesmo. Mas elas conservam um aspecto em comum: revelam não apenas o bom (ou nem tão bom) gosto do leitor, mas sobretudo o caráter de suas próprias ideias, de seus anseios, de suas angústias. Ao selecionar o que nos é importante e significativo, desvelamos um pouco o que nos vai pelo pensamento ou pela alma.

Uma seleta é, pois, sempre um espelho a refletir o fio que nos conecta ao autor.

A seleta de letras de hoje vem do livro “Cartas exemplares”, de Gustave Flaubert. De suas missivas a amigos e amadas emanam angústias, desejos, frustrações, mistérios da criação literária, e, até mesmo, conselhos. De suas missivas, recolhe-se um bom material para reflexão, conforme se lê em alguns dos trechos selecionados:

“Leia e não sonhe. Mergulhe em longos estudos; não há nada continuamente tão bom como um trabalho obstinado.” (p. 42)

“Não é um negócio fácil ser simples.” (p.43)

“Há no entanto, no fundo, algo que me atormenta, é o não-conhecimento de minha medida.” (p.57)

“Para as coisas que não têm palavras, basta o olhar.” (p.69)

 “[…] para compreender a natureza, é preciso ser calmo como ela.” (p.74)

“O autor, em sua obra, deve ser como Deus no universo, presente em toda parte, e visível em parte nenhuma.” (p. 83)

“Só valemos alguma coisa porque Deus sopra em nós. É isto que torna até os medíocres fortes, o que torna os povos tão belos em dias de febre, o que embeleza os feios, o que purifica os instantes: a fé, o amor. “A fé remove montanhas.” Quem disse isto mudou o mundo, porque não duvidou.” (p.93)

“Os materialistas e os espiritualistas impedem igualmente que se conheça a matéria e o espírito, porque separam uma do outro.” (p.117)

“Digamos nosso pensamento por inteiro ou não digamos nada.” (p.157) [ao recusar que se fizessem cortes em “Madame Bovary”.]

“O único modo de suportar a existência é precipitar-se na literatura como em uma orgia perpétua. O vinho da Arte causa uma longa embriaguez e é inesgotável. É pensar em si mesmo que traz infelicidade.” (p.180)

“O primeiro dever de um amigo é servir seu amigo.” (p.196)

“[…] pois eu escrevo não para o leitor de hoje, mas para todos os leitores que poderão vir, enquanto a língua viver.” (p.233)

“Você não acha que nossos amigos se preocupam pouco com a Beleza? E no entanto é a única coisa importante no mundo.” (p.243)

FLAUBERT, Gustave. Cartas Exemplares. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2005.

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