Citação · Literatura · Palavras ao vento · Prosa

Das viagens

1436307682033

Viajar deveria ser obrigatório. Como matéria escolar. Não pela obrigatoriedade em si, mas porque é da mesma ordem de importância, só que muito mais visceral e memorável.

Viajar é arejar a alma, desalojar comodidades, abraçar o imprevisto, entreter curiosidades.

E não há que se viajar longe para aprender o que já é (e sempre foi) matéria do coração.

Viajar pelo próprio estado, por exemplo, é de uma redundância reconfortante.  Os costumes, os hábitos, as tradições e até mesmo a paisagem, com algumas pequenas nuanças, são de uma familiaridade que acolhe como colo de mãe.

Viajar pelo próprio estado é como passar as férias à casa da avó. Sabemos, de antemão, o que lá vamos encontrar. São ternuras pequenas para as quais desejamos sempre regressar.

Viajo, pois, pela serra gaúcha. Reconheço as araucárias e toda a restante vegetação. Nada me é estranho ou ameaçador. Sinto-me parte de tudo o que há. Sendo parte, viajo por inteiro.

Viajo pelo meu estado e acho tudo belo e natural. Tão belo e natural quanto o haver _ desde a história da vida humana por toda  a Terra_ uma igreja e seu sino.

———————————————————————————————————-

“Já tomei muito avião para fazer reportagem, mas o certo não é assim, é […] ir pelos caminhos que acompanham com todo carinho os lombos e curvas da terra, aceitando uma caneca de café na casa de um colono. Só de repente a gente se lembra de que esse Brasil ainda existe […].”

Rubem Braga, em trecho da crônica “O outro Brasil.”

Anúncios

4 comentários em “Das viagens

  1. Rubem Braga infiiltra poesia no cotidiano da vida contada. Dizer “são ternuras pequenas para as quais desejamos sempre regressar”, ao referir-se às férias na casa da avó, são de uma verdade única, até dói de tão lindo, pois também traduz uma saudade.
    E “sendo parte, viajo por inteiro”, que lindo!!!
    Beijos Cris

    Curtir

    1. Marina, querida!!
      Você tem toda razão quando diz que Rubem Braga infiltra poesia no cotidiano!! Devo dizer que fiquei lisonjeada por você considerar os trechos destacados como sendo do nosso grande Braga…hehehe…pois na verdade são trechos do texto meu! Do amado autor é o trecho em aspas ao final!!
      Beijão

      Curtir

      1. Que lindo Cris, parabéns!! Desculpe eu não ter percebido ou checado a fonte.
        Este lapso me levou a uma memória de infância, quando íamos a uma fazenda. Minhas tias, que eram jovens na época, foram passear pela fazenda e demoravam a voltar. No retorno, disseram que tomaram o café mais gostoso do mundo, na casa de uma senhora idosa, que era colona da fazenda. Esta lembrança suscitou-me infância, a liberdade que eu ainda não tinha por ser pequena e, sem dúvida, o aroma do café.
        Beijos querida Cris

        Curtir

      2. Imagina, Marina!! Não há o que desculpar, eu tomei por um super elogio…kkkkk…
        E fico muito contente que as palavras tenham te trazido tão boas recordações!! Afinal, quando se tem lembranças tão queridas é porque se bem viveu!!
        Um beijo con afeto pra vc, minha querida!

        Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s