Citação · Palavras ao vento · Poesia

Do jardim e outras efemeridades

Quem cultiva um jardim sabe: avistar um botão em flor é como receber um presente. Que se deseja. Mas não se sabe se virá. E então, é como se uma mágica acontecesse. O presente desembrulhado, feito flor. Aberto para a vida. Nascido assim, o botão-presente agora flor, deixa-se contemplar na sua curta duração. É efêmero. Como a vida de toda a gente. À diferença de que não o sabe, como não o sabem os animais. É preciso mesmo desconhecer a transitoriedade de tudo o que há para viver a realidade com a mais absoluta entrega e devoção. Saber que a flor será colhida, por mãos humanas ou pela mão do tempo, é indiferente ao olhar de quem cultiva um jardim. Ao jardineiro importa a beleza que, por um instante, perfumou com graça e poesia  tudo o que é real e há no mundo.

“Todas as teorias, todos os poemas

Duram mais que esta flor,

Mas isso é como o nevoeiro, que é desagradável e úmido,

E mais que esta flor…

O tamanho ou duração não têm importância nenhuma…

São apenas tamanho e duração…

O que importa é aquilo que dura e tem dimensão

(Se verdadeira dimensão é a realidade)…

Ser real é a cousa mais nobre do mundo.”

Alberto Caeiro

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6 comentários em “Do jardim e outras efemeridades

  1. Olá, Cris!
    Vim parar aqui através do blog da queridíssima Consuelo!
    Estou amando as postagens diárias! Funciona como um aperitivo para os seus textos, pelos quais sempre fico no aguardo!
    Concordo com a Mariza.. Queremos um livro!!
    Beijos, querida!

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    1. Olá, Laís!!!
      Muito obrigada pela companhia, aqui e no Consuelo blog! ! Obrigada também pelo carinho e pelo incentivo!! Já publiquei livros na área acadêmica, mas seria realmente um sonho publicar alguma coisa mais próxima da área literária!!
      Bjo grande pra vc, querida!

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  2. ”É preciso mesmo desconhecer a transitoriedade de tudo o que há para viver
    a realidade com a mais absoluta entrega e devoção”..lindo adorei!
    Obrigado querida Cris por deixar nosso dia mais leve. E faço coro c as meninas..queremos livro!!!
    bjs
    Ahh.. que linda a Alamanda rosa!!

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    1. Mari!!!
      Vocês são umas queridas!! Obrigada pelo incentivo ao livro…quem sabe um dia…!!
      E você não vai acreditar, mas tenho essa trepadeira no jardim entrelaçada ao jasmim, mas não sabia que se chamava “alamanda”. O nome deu mais beleza à minha flor!! Muito obrigada, amiga!!
      Beijão

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